Aí está a palavra chave, "base". Não se discute um assunto "subjetivo" (exito ao usar esta palavra) como os citados no início do texto diretamente. Raramente se chegará a um acordo debatendo o assunto diretamente.
As crenças, gostos e preferências não surgem do nada, como, aparentemente, muitos pensam. Todas estas coisas surgem a partir de uma base, base para a crença, base para o gosto, base para a preferência. Não se deve discutir o se, mas sim o porque.
Veja este quadro:
É um quadrado preto com um minúsculo ponto branco. Isso é arte? Independente da sua resposta, farei outra pergunta: "Porque isso é/não é arte?", então, para responder isso, deve questionar-se: "Qual a minha definição de arte?" Arte é tudo que alguém denominado como artista por ao menos um crítico faz? Arte é algo que requer habilidade, ou é apenas algo que transmite uma ideia? Assim que a definição de "arte" for concluída, podemos iniciar um certo debate, já que temos a base. Se o debate for com o intuito de mudar o gosto do oponente, então talvez possamos chegar a algum lugar ao criticar, ao invés do gosto do oponente em si, sua base para ter esse gosto, para aderir a essa definição de arte. Se conseguirmos, então o oponente claramente não possuía uma base forte o suficiente, mas se acontecer o mais provável, do oponente não mudar sua opinião e sua base não fraquejar, ao menos aprenderemos algo com a discussão, aprenderemos que existem outros pontos de vista que não sejam os seus e, com sorte, perderemos essa noção de que "gosto não se discute". Se tem tanta gente discutindo, é porque se discute sim e se mesmo assim a frase continua em efeito, é porque não se soube discutir corretamente.Religião ou crença é um outro ponto, dessa vez, creio eu, mais debatível, pois aquilo que acreditamos é aquilo que escolhemos acreditar, e nossas escolhas podem estar erradas (se não admite isso então não merece atenção ou credibilidade alguma). Acredito muito no que a ciência diz, pois a ciência não é só um coletivo de descobertas. Para algo ser considerado um "fato" ou uma "teoria", ela deve passar por um rigoroso processo muito extenso e complicado para explicar nesse texto (e também porque eu não conheço de cor), então quando me deparo com algum religioso e quero debater, meu instinto faz-me assumir que sua base para definir o que é ou não verdade - ou ao menos acreditável - é a mesma base que a minha. Logo se inicia um debate que não vai a lugar algum pois meu instinto me fez assumir o, muito provavelmente, incorreto. Logo devo mudar o caminho que o debate toma para algo mais profundo. "O que te faz acreditar?" É a fé? Então começo a atacar o conceito de fé. Foi algum acontecimento na sua vida que considera um milagre? Então começo a tomar um caminho arriscado ao dizer que aquilo poderia muito bem ter outras causas, se não Deus. São os argumentos lógicos ao observar o mundo a nossa volta? Então começo a apresentar contrapontos lógicos e pesá-los contra os argumentos que me apresenta. Se for uma mistura de tudo isso, então a conversa vai longe... Ou um se cansa, ou se ofende, ou se sente ameaçado e diz que "Religião não se discute". (Aí eu fico com raiva, chuto, grito, xingo de covarde e ignorante e acaba ficando por isso mesmo)
Pois acho que já escrevi demais. Pensei em entrar em futebol e política, mas seria apenas a repetição dos dois parágrafos anteriores com algumas palavras modificadas. Espero que tenha compreendido, aprendido algo ou senão ao menos concordado com o que leu.