domingo, 14 de novembro de 2010

Eu tento, tento, tento, mas todas as vezes sou cortado a seco. Invasivo? Não sei, talvez.

Quero mudar, mas eu sou eu, e não outra pessoa.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Feynman

Existe uma bagunça tremenda de ondas pelo espaço à nossa volta. Nossos olhos são adaptados apenas para receber ondas entre duas frequências, se ficar muito pequena se torna ultravioleta, se ficar muito grande se torna infravermelho, mas elas estão aí, estão à nossa volta, indo em todas as direções.

O melhor exemplo são ondas de luz. De qualquer um ponto no espaço onde existe essa onda, você pode ver qualquer outro ponto. Para esse simples fato até banal ocorrer, dá pra se imaginar a bagunça imensa de ondas (de luz, apenas) que estão viajando nesse meio? E elas não são as únicas. Em qualquer lugar, você liga um rádio, e esse rádio capta as ondas de rádio no espaço, e então transmite ondas sonoras, captadas por nossos ouvidos. E está tudo aí, à sua volta.

É de enlouquecer qualquer um...

"But you gotta stop and think about it... About the complexity, to really get the pleasure."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A batalha pelo absoluto.

Vocês não cansam de recuar? A cada humilde investida nossa, vocês recuam por kilômetros, mas continuam bravamente lutando, sem nem ao menos perceber a iminente derrota e ignorando o impacto. A dor é tanta que nem se lembram mais como era viver sem ela. Em seu ponto de vista, nós somos os vilões, e vocês estão ganhando.

Mas nesta batalha a lei continua válida, sendo a mesma contradição (para vocês, invisível): "O bem sempre vence"

Mas a verdade é que vocês são cegos. Suas vendas por cima de seus olhos desde o nascimento. Sua visão totalmente dependente daquilo que seus líderes desejam. Vocês não vêem o abismo, pois seus lideres não querem que o vejam. "Continuem lutando, vocês estão indo bem, eles estão totalmente indefesos!", enquanto na verdade nossas defesas estão mais fortes do que nunca.

O bem sempre vence. E é isso que estamos fazendo.

Infiel.

Não sei como abordar esse tema sem soar agressivo.

Fé.

Porque esta palavra tem uma conotação tão positiva? Ter fé em algo, se não for por conforto emocional em momentos difíceis, é absolutamente repugnante aos meus olhos. Alguém com saúde mental perfeita que diz ter fé em algo admite ter entregue sua visão do mundo para o primeiro manipulador. Admite não valorizar suas opiniões e, conseqüentemente, às ações que faz em cima delas.

Não sou só eu quem diz isso, é o próprio dicionário. Fé é definida como "crença em algo não baseado na lógica ou em evidência material". O que mais há para te fazer acreditar senão isso? Porque vende sua crença por um preço tão baixo? Como é capaz disso?

É isso que diferencia o ateísmo de outras religiões e torna-o o melhor ponto de vista. Para ser ateu é necessário o ceticismo. Não existem dogmas, não existem regras a serem seguidas à risca, não há nenhum ateu influente que precisa ser tratado como um Deus.

Deixe sua fé para trás, torne-se livre.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Insignificantes / O Pálido Ponto Azul

Contradizendo meu post "Independência Intelectual", no qual tento dizer o que que gosto mesmo é expressar idéias as quais cheguei a conclusão sozinho, com ajuda (inevitável) apenas no caminho, mas quem pegou as peças e colocou-as no lugar fui eu, vou colocar aqui um texto de Carl Sagan, texto esse que acho ser o mais comovente, por sua (para muitos, cruel) veracidade, texto esse que gostaria de ter ouvido em pessoa, em um de seus discursos.

Para não ser dito no final, talvez interrompendo a reflexão que - com sorte - inevitavelmente procederá a leitura do texto, já digo agora:

Descanse em paz, Carl Sagan.

"Olhem de novo para esse ponto. Isso é aqui, isso é a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem amamos, todos a quem conhecemos, qualquer um de quem escutamos falar, cada ser humano que existiu, viveu as suas vidas. A junção das nossas alegrias e nosso sofrimento, milhares de religiões autênticas, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colhedor, cada herói e covarde, cada criador e destrutor de civilizações, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada mestre de ética, cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pensai nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos duma fração desse ponto. Pensai nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão extremos os seus ódios.

As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são raptadas por este pontinho de luz frouxa. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que albriga a vida. Não há mais algum, pelo menos no futuro próximo, onde a nossa espécie poderá emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, por enquanto, a Terra é onde temos de ficar.

Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza e humildade. Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o ponto azul pálido, o único lar que tenhamos conhecido."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Inutilidade #1

A partir de observações, nota-se que em um jogo de PAR ou IMPAR os jogadores, por conveniência, jogam apenas 0, 1 ou 2:

Jogador 1 (PAR) 0 x 0 Jogador 2 (IMPAR) = PAR
Jogador 1 (PAR) 0 x 1 Jogador 2 (IMPAR) = IMPAR
Jogador 1 (PAR) 0 x 2 Jogador 2 (IMPAR) = PAR
Jogador 1 (PAR) 1 x 0 Jogador 2 (IMPAR) = IMPAR
Jogador 1 (PAR) 1 x 1 Jogador 2 (IMPAR) = PAR
Jogador 1 (PAR) 1 x 2 Jogador 2 (IMPAR) = IMPAR
Jogador 1 (PAR) 2 x 0 Jogador 2 (IMPAR) = PAR
Jogador 1 (PAR) 2 x 1 Jogador 2 (IMPAR) = IMPAR
Jogador 1 (PAR) 2 x 2 Jogador 2 (IMPAR) = PAR
Total de jogos = 9

N° de jogos PAR = 5
N° de jogos IMPAR= 4

CONCLUSÃO: Em um jogo de PAR ou IMPAR, quem pede PAR tem mais chances de ganhar.

Sempre que for jogar PAR ou IMPAR, peça sempre PAR, mas se for obrigado a pedir IMPAR, seja mais esperto e coloque 3, pois então se acrescenta:

Jogador 1 (PAR) 0 x 3 Jogador 2 (IMPAR) = IMPAR
Jogador 1 (PAR) 1 x 3 Jogador 2 (IMPAR) = PAR
Jogador 1 (PAR) 2 x 3 Jogador 2 (IMPAR) = IMPAR

Modificando o placar final para:
Total de jogos = 12

N° de jogos PAR = 6
N° de jogos IMPAR= 6

Ou seja, 50% de chance para ambos os lados.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vocabulário

Tem vezes que meu vocabulário me falha. A culpa disso está em grande parte no fato de eu ser bilingüe

Eu interajo com a língua inglesa com tanta freqüencia que eu ja me tornei fluente nela. Interaji a tanto tempo (desde os quatro anos jogando Super Nintendo e então atingindo um boom de interação aos 12, acho, quando fui apresentado ao Tibia HDUISHOASD) que aprendi a usá-la como uma língua primária. A maioria do meu tempo em casa eu estou vendo coisas em inglês no YouTube ou vendo seriados sem precisar de legendas ou seja lá o que for. Com isso aprendi o inglês separadamente do português.

Aprendemos palavras pelo seu contexto, desde criança e usamos elas da mesma forma: quando falamos pegamos o contexto que queremos transmitir e então acessamos nosso cérebro em busca da palavra que mais adequadamente comunica esse contexto ou essa idéia, ter duas línguas diferentes para acessar complica muito as coisas.

Por vezes eu me encontro construindo uma idéia através de palavras de uma das duas línguas a minha disposição para no meio trombar com uma idéia que eu sei descrever apenas com uma palavra da língua oposta da que eu estou usando.

Meu vocabulário é como um diagrama de Venn de duas partes:

O círculo A representa as idéias que eu sei transmitir através de palavras em português, o círculo B, em inglês e a intersecção é a idéia plena que eu sei transmitir através de qualquer uma das línguas, e a imagem em seu inteiro representa todas as idéias que eu sou capaz de "enxergar" em palavras.

(também existem outros círculos de idéias em outras línguas mas estes em grande parte não interseccionam nada, são muito pequenos e não vejo problemas em usá-los no meio de uma conversa, um exemplo é a palavra "zeitgeist" do alemão, que passa uma idéia exclusiva para essa língua, assim como "saudade".)

A falta de meu vocabulário ocorre quando estou falando, digamos, na língua A e tento passar uma idéia que só é correspondente com a língua B. Para sanar este problema é necessário juntar os dois círculos para que eles formem um só

O mais interessante é que eu me enrolo muito mais falando em português do que em inglês, então acredito que o meu círculo B é maior que o A, ou ele simplesmente é contido em maior porcentagem na intersecção que o A.